3.4.11


Na relidade ainda penso bastante em ti, ainda é dificil após estes anos todos, falar de ti sem que caiam lágrimas do rosto. Hoje recordo com saudade quando me ías buscar à escola, quando me davas presentes, ou quando vinhas para minha casa. Dizias que eu era a princesa dos teus olhos, que era a menina mais bonita. E que te fazia sorrir. Deixaste-me sem que eu tivesse tempo para te dizer o quanto gostava de ti, o quanto também me fazias feliz, o quanto eu gostava que me beijasses o rosto, ou mexesses no meu cabelo devagar, o quanto eu gostava que me vestisses. Eras a minha avó, aquela que ainda hoje me deixa saudade. Mas como a vida é injusta, dum dia para o outro adoeceste sem que eu desse conta, sem que eu pudesse cuidar de ti, até sem que eu te pudesse ver. Todas aquelas estúpidas promessas que me faziam: "Vais ver que a tua avó vai ficar bem"; "ela amanha já sai, vai voltar a ser a senhora que sempre foi, há-de melhorar", mas isso não aconteceu, cada vez que saias as coisas pioravam, e as visitas ao hospital tornavam-se numa rotina. Por mais que gostava de acreditar no que  me diziam, sabia que só o faziam para me acalmar. Lembro-me perfeitamente de uma das últimas vezes que fui a tua casa, estavas deitada na tua cama, e com os olhos meio abertos meio fechados agarraste na mão da minha mãe e sussurraste. Fiquei aos pés da cama a ver tudo o que se passava. E chegou o dia, cheguei perto da porta, e vi um aglomerado de pessoas a chorar. Agora sabia perfeitamente o que acontecera. Tinhas partido, sem dizer nada a ninguém, o bichinho que vivia dentro de ti, e se espalhára tinha levado a melhor. Tinha agora levado a minha avó. E deixado a saudade a todos os que te eram mais queridos. Tenho saudades tuas avó, até um dia.

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